MINHA ESTANTE - Pequena história da fotografia, de Walter Benjamin

Por Gabriela Ravazzi

Escrito por Walter Benjamin em 1931, o ensaio Pequena história da fotografia fala sobre o impactos da fotografia na cultura, na arte, e em nossas vidas, segundo ele,  todas essas mudanças devem-se à reprodutibilidade técnica do processo.  

 A primeira fotografia de que se tem notícia remonta ao ano de 1826 (atribuída ao francês Joseph Niépce). No entanto, a invenção da fotografia é fruto do trabalho de diversos pesquisadores que visavam o mesmo objetivo: fixar as imagens da câmera escura. A história (mesmo que breve) da fotografia é explicada a partir das seguintes fases: apogeu (magia e técnica que, juntas, formam a aura), declínio e revitalização. 

Não é à toa que as primeiras fotografias tanto se parecem com quadros feitos à mão: devido às limitações técnicas do período, as expressões eram obtidas graças à longa imobilidade do modelo – tudo naquelas fotos fora organizado para durar; para os modelos da época, a câmera fotográfica era “um aparelho que podia rapidamente gerar uma imagem do mundo visível, com um aspecto tão vivo e tão verídico como a própria natureza” (Benjamin, 1994). 

As primeiras décadas da fotografia, segundo Benjamin, representam o período de seu apogeu e foi nessa fase pré-industrial que houve o predomínio do retrato – o que faz todo sentido. É aqui que a burguesia se apodera da fotografia: o cartão de visita, com o retrato de seu portador, foi o carro chefe para a mercantilização e industrialização da técnica fotográfica. Aqui surgem inovações tecnológicas irremediáveis no quesito artístico: a massificação da fotografia trouxe com ela profissionais mais interessados no lucro do que na qualidade das imagens. 


JÁ SE DISSE QUE “O ANALFABETO DO FUTURO NÃO SERÁ QUEM NÃO SABE ESCREVER, E SIM QUEM NÃO SABE FOTOGRAFAR”. MAS UM FOTÓGRAFO QUE NÃO SABE LER SUAS PRÓPRIAS IMAGENS NÃO É PIOR QUE UM ANALFABETO? – WALTER BENJAMIN.


O declínio da aura começa quando a proliferação dos retratos fotográficos passa a servir à prosperidade da burguesia. A entrada da fotografia na era industrial é marcada pela invenção do negativo, “a proliferação de múltiplas cópias obtidas a partir de um único negativo promove a dessacralização da imagem” – assim como do espectador. É aqui que encaixamos o conceito de reprodutibilidade técnica: o retrato deixa de estar ligado ao “aqui” e “agora”, perde a sua unicidade, seu valor de culto, ou seja, perde sua aura, e passa a servir ao mercado. Para mimetizar a decadência da aura, surge o movimento pictorialista (1890) com o intuito de imitar a aparência e o acabamento das fotografias ‘primitivas’, eram profissionais que queriam resgatar o que a reprodutibilidade havia destruído. 

A revitalização da imagem (e não da aura) coube ao francês Eugene Atget. Precursor do movimento surrealista da fotografia, foi o primeiro a “desinfetar a atmosfera sufocante difundida pela fotografia convencional, especializada em retratos”. Suas fotos mostram uma Paris solitária, ruas e esquinas vazias, o silêncio – “Atget desloca o foco da câmera da figura humana para retratar o “aqui” e “agora” das imagens”, desvinculando os objetos de suas funções e de sua aura original; seu trabalho foi comparado ao local de um crime.

As inovações tecnológicas surgidas com a industrialização da fotografia possibilitaram o barateamento dos equipamentos, bem como sua democratização. Apesar de perder sua aura, a fotografia chegou ao acesso das massas, o que não significa que ela consiga expressar a sensibilidade do homem moderno da mesma maneira que fez com o homem do passado.