o que aprendi assistindo Velho Chico

À moda de romance shakesperiano de amores proibidos e famílias rivais, Velho Chico se apoia na mesma temática, mas recria a estética. Com imagens gravadas à beira do Rio São Francisco, o cenário da novela das 21h sai dos já esperados centros urbanos das capitais paulista e carioca.

Como pano de fundo, a narrativa de Benedito Ruy Barbosa traz temáticas sociais como a exploração da terra e do homem, o coronelismo dos anos 60, a seca e a fome. O ritmo se inspira nos versos dos repentistas nordestinos e do movimento da Tropicália.

Numa espécie de prefácio da obra, a cena inicial do primeiro capítulo apresenta o compositor Maciel Melo e seu parceiro Xangai proferindo versos cujo tema falava sobre amor impossível, trama central da obra escrita por Edmara Barbosa e Bruno Luperi e dirigida por Luiz Fernando Carvalho.

O elenco foi escolhido cuidadosamente, 70% dos atores são da região. Entre os pernambucanos, Renato Góes, Ivann Gomes, Irandhir Santos, Alberto Brigadeiro e Maciel Melo.

O diretor artístico Luiz Fernando Carvalho tem outras obras de renome no currículo, como as novelas e longas:


5 dicas de composição

 

1. Molduras

As cenas são construídas de modo que os personagens estejam envoltos a molduras, atraindo a atenção pela quebra do óbvio na produção de retratos. Outro aspecto interessante é notar a variedade de possibilidades de construir molduras que o diretor de arte explora: arcos de flores, janelas, cortinas, portas e tábuas.

O ponto chave é encontrar simetrias e posicionar o personagem por ali. Outra dica é utilizar o ângulo de 45º para que moldura e personagem apresentem-se por completo.

2. Pontos de cor

A narrativa possui, em sua maioria, cenas com tonalidade ensolarada e quente. O diretor de arte apoia-se em tons terrosos para criar essa aura. Tons pastéis completam o quadro  de suporte. A cor tem caráter estratégico na montagem, pois é o ponto de destaque das cenas construídas com luz dourada. O horário da fotografia pode influenciar nesse tom, sendo recomendável para atingir essa coloração tirar as fotos entre às 16h e 18h.

Por que a paleta de cores da fotografia é importante? Como nos comportamos sob efeito da justaposição de duas ou mais cores? Pensando nisso, Itten criou o conceito de harmonia cromática e colocou um parâmetro, que seria buscar a satisfação do olho humano (resumidamente: estimular os cones dos nossos olhos igualmente nas quantidades de azul, verde e vermelho).

No caso de Velho Chico, a harmonia encontrada é a do Triângulo Isósceles


Você pode ensaiar composições em ferramentas online como o Paletton e Adobe Color.

3. Estética lúdica e lírica

Velho Chico é mais uma obra cinematográfica do que uma crônica de costumes. Os recursos de enquadramento, iluminação, objetos interpostos e adereços visuais das cenas são técnicas que quebram o olhar objetivo humano e traz grandiosidade à obra. Ensaios fotográficos em que o objetivo é trazer o onírico do fotografado ou provocar o onírico no observador das fotografias, estes recursos podem ajudar. Para criar essa aura, busque objetos que possam se interpor entre a lente da câmera e o objeto fotografado e trazer “filtros” para imagem. Algumas sugestões são vidros, garrafas pet, embalagens para presente, papel celofone, espelhos, luzes coloridas, projeções com retroprojetor, meia-calça, sprays aerosol, isqueiros, e glitter.

4. Contraste

De acordo com Itten e a teoria cromática, o contraste é a relação entre as cores que ora define, ora amplia as diferenças. Isso faz com que, na publicidade, por exemplo, busque-se um contraste cromático atrativo e colorido. O uso adequado de tons também favorece a rápida compreensão da mensagem e traz à ela mais capacidade de provocar emoções.

Itten opera pelo relativismo. Não existe uma cor clara ou escura, porque o que existe é como uma cor se apresenta em justaposição à outra. Assim, ao se pensar em composição fotográfica, deve-se pensar em como os elementos da imagem se combinam e de que forma eles poderiam ser intensificados ou amenizados, conforme a intenção, alterando-se cores e iluminação. Para intensificar uma cor e trazer mais dramaticidade às fotos, opte por composições com cores opostas. Se a ideia é amenizar os contrastes e criar fotografias mais suaves, uma boa ideia é usar cores complementares.

5. A regra dos terços

A regra dos terços baseia-se em destacar na imagem quatro pontos principais de interesse. Estes posicionamentos são considerados locais de repouso do olhar humano, logo, porções atrativas na fotografia. Para executar essa técnica, deve-se posicionar o objeto fotografado nos quatro pontos mostrados abaixo. Isto é, ⅓ de personagem e ⅔ de cenário ou vice-versa. Basicamente, a técnica consiste em não centralizar na imagem o objeto ou pessoa fotografada.


Esse recurso também evita fotos monótonas e estáticas em que o objeto encontra-se no centro do cenário. Em fotos de paisagem, a regra também se aplica e deve-se atentar à colocação da linha do horizonte, posicionando-o ou mais acima - dando destaque ao ambiente fotografado - ou mais abaixo, destacando o céu.

Na maioria das câmeras semi-profissionais ou profissionais é possível ativar o recurso da “grelha” que mostrará o quadriculado dos terços na tela, facilitando o trabalho do fotógrafo.

Aplique as técnicas e mostre pra gente utilizando a #blogdoateliê no instagram! Aproveita e nos siga por lá :)

Para saber mais: