Ensaio prático com casal {Veri+Fábio}

Ensaio que fizemos com o casal Veridiana e Fábio durante aula prática de direção e fotografia. Usamos duas locações dentro da cidade de Bauru: a primeira, um espaço super escondidinho atrás do Horto Florestal - por onde passa a linha de trem. A segunda, usamos só o grafite de um muro no quarteirão do Teatro Municipal. Tudo dentro da cidade e pertinho. A aula durou duas horinhas, tempo em  que exploramos luz, direção e composição.

 

-

O que é timidez se não um receio frente ao desconhecido? O medo talvez more também nesse mesmo lugar. Importante pensar o que é, enquanto fotógrafo, lidar com o medo do outro. O que sente um casal ao ser fotografado? O que passa na cabeça do noivo? Da noiva? O que ambos querem com aquele ensaio? Qual o objetivo de despender duas, três horas da vida ao lado de um fotógrafo muitas vezes desconhecido. Penso demais nisso, na importância que nós, profissionais, temos nos desejos e receios dos casais que nos procuram...

 

Fotografar casais é ir de encontro com um desejo (de representar em imagens a importância daquele relacionamento, talvez?). Ao passo que, por trás desse desejo, há um receio. Entender o que querem é o maior desafio. E segue sendo...

 

Por outro lado, também nos expomos. Somos também esse emaranhado de pensamentos, receios, timidez. Em cada café que tomamos com nossos clientes, aprendemos demais quanto a isso. Tudo o que me vem na cabeça, nesses momentos de incerteza é: "somos todos iguais". Todos sentimos isso que vocês, casal, sentem. Também somos isso, também partilhamos disso.

 

Quem me conhece, sabe como sou meio desajeitada. Sempre tropeço. Já cai várias vezes. Não me asseguro sempre dos passos dados - analogia de como me comporto na vida? - E isso me fez pensar... Ali, naquele tropeço, me torno mais humana, mais próxima, mais igual. Me coloco na mesma linha que nivela os nossos receios: o de ser exposto ao ridículo talvez? No fim, todos rimos. Por que o aprendizado e o crescimento talvez seja isso: a partir do momento que a que ri de si mesmo. Quando rimos dos nossos medos estamos dizendo: ok, já entendi que tenho medo disso. E agora, como proceder? Um primeiro passo é reconhecer. Depois, pensar sobre ele. Rir então quer dizer assumir aquilo dentro de nós como algo que faz parte. Pertence. Pode um dia não pertencer mais - se, de fato, aquilo incomoda.

 

Que sejamos todos iguais frente aos nossos medos.